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Casamento Meghan & Harry: um conto de fadas revolucionário

Um conto de fadas da mulher contemporânea. Uma plebeia, divorciada, negra, é reverenciada no altar da monarca mais poderosa do mundo, a rainha da Inglaterra. Uma mensagem ao mundo: a monarquia britânica se moderniza e revê seus conceitos. Vi uma capa de revista que achei muito adequada: a realeza cai na real. Mas esta revolução é feita com beijo, paz e amor, muito amor, um amor livre, sim, para se comprometer com o coração, que se coloca agora acima dos protocolos e regras das instituições. Assim podemos definir o casamento monárquico de Henry de Galles com a norte-americana Rachel Meghan Markle, ou, carinhosamente, de Harry & Meghan, que disseram “sim” na St. George Chapel, no Castelo de Windsor.

Se o casamento de William & Kate, em 2011, já chancelou que estamos, sim, na era do casamento por amor – como sempre gosto de enfatizar em minha pesquisa e palestra Seja Moderninho Case por Amor, quando a rainha abençoa a união de um príncipe herdeiro com a plebeia por quem se apaixonou, estamos dando um passo muito significativo na história do amor e do casamento. Mas, agora, Elizabeth foi bem além. Ela abençoa o casamento de seu neto Harry com uma plebeia divorciada (o tio de Elizabeth II, Rei Edward VIII, precisou abdicar do trono para se casar com Wallis Simpson, divorciada, em 1936, na declaração de amor mais impressionante do século XX).

Mas este casamento dá outro passo muito especial. E por um motivo que nem deveria ser assunto, deveria ser algo natural, como é. Mas infelizmente ainda não é. E quem sabe agora começa a ser. Meghan é negra – filha de Doria Ragland, negra, e Thomas Markle, branco (com quem Meghan não tem uma relação muito próxima por comportamentos nada elegantes do pai). Então, é isso. Meghan é uma mulher da vida real. Não existe sangue azul nem perfume aristocrático em sua família. E o fato é que a Rainha da Inglaterra, monarca mais poderosa do mundo, diz ao mundo que, sim, está apta a ter bisnetos, príncipes herdeiros, de ascendência negra. E tudo bem! Já não era sem tempo disso, certo? Uma verdadeira transposição da barreira de preconceito que nosso blog se emociona em assistir.

Se pensarmos que a escravidão foi abolida no final do século XIX, há 130 anos, no Brasil, e que ainda há taaaaaanto a ser percorrido no caminho da inclusão social dos negros, em todo o mundo, paramos um pouco de pensar sobre bouquets e vestidos e admiramos a beleza desta cena.


Que momento importante e bonito da nossa história. A humanidade caminha a passos lentos, muito lentos. Mas caminha. Um grande passo no caminho da superação do triste preconceito racial que ainda insiste e persiste – muitas vezes explicitamente, outras veladamente, numa naturalização da exclusão. Uma exclusão real e oficial. E, durante séculos, uma exclusão bastante britânica. Depois do que a Inglaterra mostrou ao mundo no dia 19 de maio, uma exclusão que começa a fazer parte do passado.

A CAPELA DE ST. GEORGE

Com um lindo pergolado de peônias, garden roses brancas e rosa chá e folhagens feito por Philippa Craddock, a Capela de St. George estava elegantemente decorada para receber os convidados, a Rainha Elizabeth II e os novos Duque e Duquesa de Sussex para a cerimônia. Nós adoramos como a arquitetura gótica da igreja contrastou com a suavidade das flores com pétalas – de forma bem orgânica, do jeito que o novo casal real adora. Foi clean, elegante e tradicional.

TIARA FILIGREE: SOMETHING OLD, SOMETHING BORROWED

Meghan garante tradição em seu look com a tiara #Filigree usada pela última vez pela Rainha Mary, tataravó de Harry, casada com o Rei George V – e, portanto, avó paterna da Rainha Elizabeth II. Deu pra entender a genealogia? Bom, para evitar confusões: o pai de Elizabeth II é o Rei George VI e Elizabeth, a Rainha Mãe. Resumindo: esta tiara tem um significado muito especial para a família real e, com a joia, Meghan garantiu a dupla something old e um something borrowed em uma só peça.

Ela foi criada em 1932 e tem um lindo broche no centro de inspiração art deco. Para combinar, Meghan optou por joias Cartier clássicas – os brincos galanterie e uma pulseira grande da mesma marca que também foi usada por Máxima da Holanda. O véu foi um caso à parte: tinha 50 metros, todos os monograma de todos os 53 estados da Commonwealth Britânica, mais flores típicas da Califórnia e do Palácio de Kensington.

A mãe de Meghan Markle, Doria Ragland, acompanhou a noiva até a igreja. Estava muito emocionada!

OS PEQUENOS PRÍNCIPES

Por sua vez, os pequenos príncipe George e a princesa Charlotte, que já estão ficando experts quando se trata de roubar a cena em casamentos da família – foram pajem e daminha do casamento da tia Pippa Middleton, no ano passado –, estavam junto com a mãe, Kate Middleton. Sempre elegante, Kate desta vez dividiu opiniões. Optou por repetir um vestido que já usou em três ocasiões anteriores – até aí nada demais, e acho que até é muito bacana esta mensagem de reaproveitamento e consumo consciente. A questão é a cor que ela escolheu. O vestido era de um amarelo tãaaao pálido que dividiu opiniões, pois parecida branco. E branco é a cor da noiva ne? Pelo menos aqui no Brasil.

VESTIDO DE MEGHAN FAZ HOMENAGEM A PRIMEIRA NOIVA NEGRA DA MONARQUIA

De acordo com o Palácio de Kensington, o vestido de Meghan é “a tradução da graça da elegância minimalista da Maison Givenchy, com a oportunidade de mostrar ao mundo a qualidade de suas criações haute couture desde 1952″.

Mas, para nós, que pesquisamos referências de noivas negras anteriores na história, com auxílio da nossa querida Fernanda Matta, consultora, a Duquesa de Sussex fez uma nítida homenagem à panamenha Angela de Liechtenstein, primeira noiva negra da monarquia ocidental. O vestido de Meghan é um modelo muitíssimo semelhante ao que Angela usou em seu casamento com o príncipe Maximiliano de Liechtenstein. A própria Angela desenhou seu vestido, com forte inspiração anos 60 – e nos remetendo à elegancia americana de Jaqueline Kennedy e Audrey Hepburn.

O vestido tem uma gola ombro-a-ombro e era feito todo de seda, com caimento perfeito e uma enorme cauda. Como falamos em nosso Instagram, o a nossa aposta é que o vestido de noiva de Meghan é, sem dúvida, uma nítida homenagem à Angela de Liechtenstein, primeira noiva negra da monarquia ocidental, que se casou com o príncipe Maximiliano de Liechtenstein em 29.01.2000, em Nova York. Também podemos perceber uma clara alusão à elegância norte-americana de Jacqueline Kennedy. A beleza, assinada por Daniel Martin, contou com produtos Dior, um batom bem suave e rosado na boca – do tipo acetinado, sardas aparecendo (marca registrada de Meghan) e olhos com cílios postiços poderosos.

A Duquesa de Sussex andou sozinha até o começo da nave, quando pegou no braço de príncipe Charles, que a levou até um Harry visivelmente emocionado e ansioso. Nós amamos o detalhe do bouquet de Meghan: tinha flores colhidas pelo próprio Harry (!) nos jardins de Kensington: astilbes, muguet (lilly of the valley), murta (usado em todos os casamentos da família real britânica), forget-me-not (as famosas não-me-esqueças) e astrantias, amarradas com uma fita tingida naturalmente.


Agora vamos falar do amor deste casal tão bacana durante a cerimônia? Da ansiedade e das lágrimas de Harry, do sorriso iluminado de Ms. Markle depois de seu noivo tirar o seu véu, dos elogios do Duque de Sussex sussurrados para sua Duquesa:

– Você está linda, eu sou muito sortudo! – falou para a Meghan, com um sorriso tão fofo no rosto

Ponto alto da cerimônia, o discurso do celebrante, negro, Bispo Curry tocou o coração do mundo inteiro, ao falar de amor (vale muito apertar o play no vídeo abaixo). Primeiro negro a presidir a Igreja Episcopal dos Estados Unidos, Curry é celebrante na igreja frequentada por Meghan nos EUA e protagonizou o momento mais comentado da cerimônia

O celebrante citou Martin Luther King Jr., reverenciou um tradicional ditado afro-americano espiritual (The is Balm in Gilead) e falou muito da necessidade da união e da criação do amor – emocionando os noivos e definitivamente, marcando um novo passo para a história da monarquia inglesa. Outro detalhe muito especial foi o espaço deixado vazio ao lado de príncipe William – ele pertenceria a Diana de Wales, falecida mãe dos príncipes. Assim como as garden roses dos arranjos da festa e as forget-me-nots do bouquet da Duquesa de Sussex.

Quando o  terminou seu discurso, o emocionante  The Kingdom Choir formado por cantores negros levou as lágrimas convidados e expectadores no mundo todo, com sua perfomance à capela de Stand by Me, de Ben E. King e Say a little prayer of me, na versão de Etta James.

 

O violoncelista negro ganhador do prêmio de jovem instrumentista da BBC, em 2016, Sheku Kanneh Mason, de apenas 19 anos, interpretou Sicilienne, Après un rêve e Ave Maria de Franz Schubert.

Após a cerimônia religiosa, Harry & Meghan usaram a rústica carruagem Ascot para fazer o percurso acenando  e saudando o ansioso público inglês, antes de chegar no St. George’s Hall, onde foi a primeira recepção.  Com catering da famosa Table Talk (que também serviu no casamento de do Duque e Duquesa de Cambridge), uma seleção de verduras e especiarias locais e sazonais frescas, como o aspargus inglês com presunto italiano e lagostins escoceses com salmão defumado e creme fraîche de limão.

Para combinar com o bolo de buttercream, limões da costa amalfitana e licor de sabugueira do jardins de Sandrigham, com rosas e peônias naturais, feitos pela Violet Cakes, a recepção incluiu macaroons de pistachio e champagne e um coquetel com a flor de sabugueiro, drink exclusivo do casamento real. E depois da recepção no St. George’s Hall, os noivos saíram para sua segunda recepção, em Frogmore House, casa do príncipe Charles.

O segundo vestido Stella Mccartney da Duquesa de Sussex com gola alta em puro crepe de seda, e é claro, por Harry de Black Tie. E, em sintonia com o vestido de noiva de modelagem “anos 60” usado por Meghan na cerimônia, Harry escolhe dirigir um charmoso Jaguar azul do ano de 1968 – este ano tão emblemático e… revolucionário, como este casamento.

Finalmente, o tradicional  “something borrowed, something blue” de Meghan apareceu! E não poderia ser melhor: em forma de homenagem à Lady Diana. Com corte esmeralda e pedra azul, o anel foi o presente de casamento de Harry para Meghan. Ele pertenceu a Diana de Wales, e deu um toque vintage todo charmoso para o vestido Stella Mccartney minimal.