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Flavia Cavaliere dá dicas de elegância para anfitriões e convidados

Elegância nunca sai de moda. Seja em um mini wedding intimista apenas para as famílias ou em uma grande festa para centenas de convidados, usufruir das dicas da etiqueta contribui – e muito – para o sucesso do casamento. Não por acaso, a primeira edição do nosso The Etiquette Lab, que falou justamente sobre as maneiras elegantes de receber, foi um sucesso, evidenciando que todos aqueles conselhos que pareciam tão datados estão mais atuais – e moderninhos – do que nunca! Prova disso é o livro “Elegância na Festa”, da cerimonialista Flavia Cavaliere: nele, a assessora divide com os leitores um material incrível sobre a elegância nas celebrações, fruto de muita pesquisa histórica, e suas dicas pessoais para anfitriões e convidados fazerem bonito no casamento – ou nos aniversários, bodas, festas familiares e tudo mais que se quiser celebrar.

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Fotografia de Daud Pacha

MC: Gostaria que você falasse um pouco da sua trajetória pessoal, que contasse sua história com os eventos sociais. E falando especificamente do livro.

FC: Eu fui bailarina clássica profissional. Foram longos anos de exercício da profissão com dedicação e aprendizado dos mais complexos e dos mais primários conceitos de cenografia, técnicas de iluminação e efeitos, sonorização, figurino e tudo mais que envolve essa arte. Quando eu tinha vinte anos fui surpreendida por uma aluna que me convidou para montar o seu cerimonial de 15 Anos. Ela queria um espetáculo! (risos). Depois, mais uma aluna fez aniversário e mais outra… em dois anos eu organizei dez festas de 15 Anos. Foram elas as responsáveis pela minha descoberta de que as festas e os espetáculos tinham muito em comum.

A faculdade de Comunicação Social, o MBA em Gestão Empresarial/Marketing e Logística, a minha experiência como Executiva de Marketing de uma grande empresa de comunicações e a de Gerente Comercial de uma multinacional inglesa foram grandes laboratórios e também agregaram valor. Posso definir a minha missão de Organizadora de Eventos como a de conceber e realizar o espetáculo com muita disciplina, competência técnica e uma boa dose de amor para que não falte aplausos no “fechar das cortinas”. Mesmo com todos esses anos de dedicação e trabalho intenso, posso dizer, com toda propriedade, que sou e estou feliz em poder trazer, hoje, nesta obra, a síntese de todo o conhecimento adquirido sobre o comportamento elegante neste universo fascinante da alegria e das comemorações colocando ao alcance de cada anfitrião ou convidado as ferramentas necessárias para que sua presença seja deliciosamente lembrada.

MC: Você é historiadora e assessora de eventos. Como você vê estes dois universos se conectarem em seu trabalho?

FC: A faculdade de História foi um presente que me dei. Já tinha até MBA mas voltei aos bancos do bacharelado apenas pelo fascínio que tenho pela pesquisa social e humana. Os códigos do comportamento social desejável não são desconectados de contexto . É preciso avaliar os hábitos culturais dos convidados, o perfil da festa e a regionalidade. Tudo hoje, tem uma explicação no processo histórico que determinada sociedade viveu e entender isso é muito bacana quando estamos na posição do Organizador de tudo, daquele que vai conduzir todos os protocolos (o cerimonialista). Teodora, a princesa bizantina que usou o garfo e escandalizou foi duramente criticada e até repreendida pela Igreja que via no garfo e seu formato de tridente carregado nas iconografias clássicas, uma semelhança com o instrumento do diabo. O dress code era claramente estabelecido desde a antiguidade. Os belos penteados que vemos na arte greco romana antiga faziam parte das normas de vestimentas adequadas,assim como o uso de muitas jóias para frequentar esses eventos.

E em tempos atuais da Lei Seca, onde muitos frequentam festas sem seus carros para que possa desfrutar dos vinhos de Baco, bem que seria ótimo relembrar alguns bons hábitos antigos como aqueles dos anfitriões ao final de tudo. Eles designavam alguns escravos (e aí, claro, que atualizaríamos essa realidade) para levar os convidados em casa acompanhando-os com tochas para que não se perdessem ou tivessem dificuldades. Muito elegante e uma prova de que a elegância na festa é algo atemporal e tem a ver muito menos com as convenções da etiqueta (essas,sim, um tanto quanto contextualizadas).

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MC: O que te motivou a escrever um livro sobre a Etiqueta? Como você enxerga a importância da etiqueta nos dias atuais?

FC: Sempre resisti à ideia de escrever uma obra que parecesse a narração de uma tia ranzinza dando aulas de bons modos. Definitivamente, o “Elegância na Festa” não é manual de como ser o que você não é. Não gosto desta ideia. Afinal, somos pessoas com emoções e novidades constantes e, não um personagem de falas prontas e gestos plantados. É preciso ser autêntico. Encontrar-se em si mesmo e ser, naturalmente, elegante. A elegância deve fluir de forma espontânea e pessoal. Cada um deve buscá-la dentro de si, no lugar que lhe deixa confortável, caso contrário, parecerá um robô programado e sem graça. É possível ser elegante tendo uma personalidade mais extrovertida ou para aqueles cujo estilo é mais reservado. Fazendo parte do grupo de pessoas muito ocupadas e cheias de grandes responsabilidades ou daquele que pode tomar um gostoso chá com as amigas toda tarde e adora passar os finais de semana de chinelos. Essa é uma brincadeira divertida de fazer consigo mesmo. Encontrar cada parte de você e dar a ela um delicioso requinte. Aprimorar-se com charme, doses de boa educação e generosas porções de bom gosto. A proposta do meu livro é ajudar neste delicioso trabalho de esculpir-se. Através de um bate papo sobre as diferentes situações vividas por convidados e anfitriões, o leitor poderá despertar a atenção para coisas que nunca pensou, tornando-se cada vez mais chique nas festas.

“É preciso ser autêntico. Encontrar-se em si mesmo e ser, naturalmente, elegante. A elegância deve fluir de forma espontânea e pessoal. Cada um deve buscá-la dentro de si, no lugar que lhe deixa confortável, caso contrário, parecerá um robô programado e sem graça.”

Flávia Cavaliere, cerimonialista e historiadora

MC: O que é uma pessoa elegante, na sua visão?

FC: A gente aprende a sentar-se a mesa e lidar com uma infinidade de talheres e copos com naturalidade. A gente aprende a dizer palavras educadas como “muito obrigado”, “por favor” e “com licença”. Aprendemos a escolher a roupa adequada para cada uma das ocasiões além de uma interminável lista de regras dos bons costumes. Isso é etiqueta. Os protocolos do comportamento social estão nos livros e manuais escritos em todos os idiomas. Mas elegância, não. Elegância é algo subjetivo. Reside na generosidade, na verdade do sorriso desobrigado, na gentileza com as pessoas, no respeito a tudo que é combinado (incluindo horários, dress codes…), na solidariedade real com os propósitos da festa, no compromisso feliz e sem torturas com a felicidade dos anfitriões,na atitude colaborativa espontânea, em preocupar-se com o conforto e bem-estar das pessoas, no tom de voz, naturalmente,amistoso, no cuidado com os exageros.

MC: Você pode dar 5 dicas para noivas e noivos serem elegantes ao conduzir o preparativo do casamento?

FC: 1) Aos donos da festa, digo que chique mesmo é ser feliz. O sorriso, o entusiasmo, a alegria… tudo deve estar lá personificado na figura de quem recebe. Seus convidados merecem isso. Aguardaram animados pela festa, se produziram, compraram presentes e esperam te encontrar transpirando felicidade. Mas aí, quando chegam lá, encontram você, tomado de ansiedade e insegurança, parecendo um passarinho assustado. Cilada total.

2) Busque profissionais para atender as necessidades de sua festa na exata medida que ela demanda, confie nas suas contratações, deixe-os cuidando das coisas e vá se divertir.

3) O ambiente deve ser preparado oferecendo conforto e estrutura compatíveis com o número de pessoas que estará recebendo. Isso é muito importante. Uma vez que isso esteja garantido, deixe seus convidados à vontade. Excesso de formalidade nos tempos de hoje,está fora de moda. O anfitrião elegante é, também, aquele que não deixa seus convidados constrangidos de curtir a festa ao seu modo.

4) Deixe que escolham onde ou com quem querem sentar, por exemplo.Seja natural e fique você, também, à vontade com tudo aquilo.

5) Por fim, não esqueça que a festa é sua. Deve se parecer com você, carregar a sua essência, traduzir sua personalidade.Vista-se de você mesma(o). Qualquer disposição em contrário é uma escolha equivocada. Se inventar um personagem, pode ter dificuldades em ser natural, trará ansiedade e fará com que aquela tão desejada alegria fique um tanto quanto embaçada. E os pais dos noivos, o que é elegante e qual o limite entre ajudar nos preparativos da festa e respeitar o desejo dos noivos? Lista de convidados, despesas, opiniões… Quantas coisas delicadas na hora de preparar o casamento sem perder a paciência e o controle,não é?! Os pais têm grande importância mas é um ótimo momento para entender que os filhos estão adultos e, portanto, precisam tomar as próprias decisões. Sabe aquela frase “Educação começa em casa”? Nas relações entre pais e filhos também. Mas para não deixar de fazer um contraponto, quero lembrar aos casais que uma festa de casamento é também dos pais que os criaram e muito ajudaram para que vocês chegassem até aqui.Eles também estão comemorando. Conversas boas, pautadas no bom senso, sempre são deliciosas e podem agregar grande valor ao resultado. Sogras, sogros, pais, 5 dicas para que eles possam ser elegantes uns com os outros neste processo de preparativos de uma festa de casamento O que falei para os pais, se estende também para os sogros. Mas quero acrescentar uma pauta legal que sempre é assunto na hora dos preparativos de um casamento. Alguns anos atrás, era tradição a festa ficar por conta do pai da noiva. Mas estamos falando de um modelo que não existe mais. As celebrações de casamento se repaginaram a começar da lista de convidados que, agora, é, majoritariamente,de amigos do casal. Nos tempos atuais, vale a boa conversa e a união dos esforços para que tudo saia como os noivos sonharam. As famílias se reúnem, os noivos participam, todos e cada um, na cota que pode arcar. Não há mais regra absoluta e, não tem nada demais, as famílias conversarem sobre os custos propondo a melhor divisão para todos.

MC: E os convidados? 5 dicas para convidados acertarem e serem elegantes.

FC: 1) Se você foi convidado para uma festa, lembre-se que o seu principal papel é colaborar com a alegria do evento. Nada de reclamações. Mesmo que lhe perguntem se está tudo ok, diga que sim. Sempre! Vestir a camisa de fiscal do bom desempenho e ficar informando sobre a temperatura do ar condicionado ou agilidade dos serviços é chato e deselegante.

2) Lembre-se que seja uma festa pequena ou um grande baile, ela sempre será resultado de investimento e expectativas, além de muitas providências e escolhas dos anfitriões. Nem sempre o gosto deles corresponderá aos seus. Nem sempre tudo que você considera importante é prioridade para eles.

3) Se o repertório musical da noite não é aquele que você escolheria se estivesse dando a festa, dance mesmo assim ou aproveite para ir ao bar apreciar um drinque com os amigos. Lembre-se, você é só um em meio a muitos convidados e o set list é uma escolha pessoal dos donos da festa, afinal, o dia é deles. Cara feia ou pedidos insistentes para o DJ também não é educado.

4) Se você chegou com mais cinco pessoas e o salão já está repleto de convidados é provável que não haja uma mesa com lugares disponíveis para acomodar todos juntos, Seja light. Espere um pouquinho aproveitando para cumprimentar as pessoas queridas que encontrar. A festa se movimenta e logo surge uma alternativa.

5) Beber? Na medida do juízo. Cada um sabe, ou deveria saber, quando o bom senso começa a ir embora mais cedo que o próprio convidado. Desta hora em diante, perigo total para a elegância.