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Celebrante Ilana Reznik

Muitas noivas me pedem indicação de celebrante, especialmente quando o casamento não é religioso. Afinal, contar apenas com as palavras de um juiz de paz pode tornar o casamento burocrático demais e distante de uma celebração mais afetuosa.  Ou, ainda, quando o casal decide apenas festejar a união, sem papelada envolvida, nem grandes protocolos, fica a pergunta: quem vai pegar o microfone e dar um depoimento bacana para marcar esta nova fase na vida do casal? Nestes casos, uma excelente alternativa pode ser contar com as palavras inspiradoras de alguém apaixonado por histórias de amor, que saiba traduzir, de forma poética, sentimentos que envolvem não só os noivos, mas todos os que testemunham aquela união. Uma pessoa como a carioca Ilana Reznik, de 28 anos, que, desde bem pequena, já adorava fazer a família se emocionar com sua habilidade em transformar sentimentos em palavras e que, há um ano, criou a Casamento Colorido, para realizar aquilo que considera uma missão de vida: levar amor e magia para a vida das pessoas.

Em um agradável bate-papo em Laranjeiras, conversei com Ilana sobre as delícias e desafios de conduzir este grande rito de passagem que é casar. Ela nos conta de um casamento que teve até uma carta dos noivos para os futuros filhos! E ainda da boda de ouro de um casal que reviveu o dia do casamento, 50 anos depois. Vamos ler?

Como você começou a fazer cerimônias? Eu sempre gostei de escrever. E ver que eu podia emocionar as pessoas com aquilo que eu escrevia me dava uma sensação muito boa, muito especial. Em todas as festas de família, era eu quem pegava o microfone para fazer um discurso e todo mundo chorava. Até o dia em que duas amigas decidiram se casar e, por ser um casamento entre duas meninas, ou seja, não oficial, não havia ninguém que pudesse celebrar essa união. Foi então que eu me ofereci pra celebrá-la, pensando: “bem, isso não deve ser tão mais difícil do que os discursos de festa, certo?” E, de fato, não foi, mas foi infinitamente mais gratificante e emocionante para mim. E aí uma luzinha acendeu, eu vi que não havia mais volta, era isso que eu precisava fazer da vida: celebrar o amor das pessoas de um jeito único e especial.

Qual o diferencial do teu trabalho? Acredito que funciono bem para aquelas pessoas que não querem fazer algo totalmente religioso e também pensam que o juiz de paz fica muito impessoal. E, por isso, mesclo o religioso com o laico, de uma forma emocionante, divertida, leve e com a cara do casal.  Não encaro a celebração como um trabalho, mas como uma missão de vida, como uma atividade que reúne as coisas que eu mais amo na vida: escrever, levar um pouco de magia para as pessoas e estar em contato com amor. E quando a gente tem uma atividade assim, não é trabalho, é fluxo, sentido, diversão e gratidão.

Hoje existe mais espaco para cerimonias criativas e não tão tradicionais? Sim, realmente acredito que cada vez mais exista espaço para cerimônias e festas mais criativas e menos tradicionais, para casamentos que tenham mais a cara dos noivos. Se a gente pensar que o casamento é a celebração do amor de um casal, e que este casal tem as suas características próprias, os seus gostos, as suas paixões, não faz sentido que uma celebração seja igual a outra. É essa personalização que torna tudo mais emocionante e bonito. Tenho visto também as cerimônias mais intimistas ganharem espaço, o que deixa os noivos mais à vontade para saírem do tradicional, já que os convidados acabam sendo só pessoas muito próximas. Muitas pessoas já me abordaram no final da cerimônia dizendo: “olha, eu detesto casamentos, acho tudo muito chato, mas hoje foi a primeira vez que eu gostei de verdade”. Isso me deixa muito feliz. É ponto para a originalidade.

Como você define o texto que será dito para o casal? O roteiro da cerimônia vai sendo desenhado aos poucos. Como é tudo personalizado, o primeiro passo é conhecer bem os noivos, a história do casal e entender o que eles querem na cerimônia deles, se desejam homenagear alguém, quem será convidado para dar um depoimento, se eles querem alguma tradição religiosa e por aí vai. Durante todo o processo, acontecem no mínimo dois encontros presenciais, muitos telefonemas e trocas de emails, inclusive com os amigos e a família, para que possa conhecer o casal também através da perspectiva das pessoas mais próximas. Eu costumo brincar que a gente passa tantos meses em contato que, quando acaba a cerimônia, eu fico morrendo de saudade dos noivos!

Qual casamento mais dificil que vc ja fez? O casamento mais difícil que eu já fiz até hoje foi no palco da Fundição Progresso, para um público de mais de mil pessoas. Era o Arraiá do Bloco do Sargento Pimenta e a produção do Bloco teve a idéia de fazer não um casamento de brincadeira, mas um de verdade, com um casal real. Nós fizemos um concurso cultural para escolher o casal mais beatlemaníaco da cidade e selecionamos os vencedores. Em cima do palco, de frente para os noivos super emocionados e para todas aquelas pessoas ali assistindo, eu tive que ser um pouco atriz também e isso foi um grande desafio.

Qual o mais bonito e emocionante?  Todas as cerimônias são muito especiais porque todas são diferentes entre si. Particularmente, posso citar dois exemplos que foram marcantes pra mim. Um foi um casamento num sitio, num local lindo, cheio de verde. Os noivos eram super espiritualizados, super alegres e queridos por todos. Foi uma cerimônia muito original que incluiu até uma carta para os futuros filhos e a plantação de uma árvore, simbolizando a nova família que estava nascendo ali. Os amigos e familiares haviam se envolvido muito nos preparativos e a emoção foi generalizada, quase incontrolável. Outra situação inesquecível foi uma celebração de bodas de ouro, onde a gente reconstruiu a cerimônia que o casal havia tido 50 anos atrás, mas, desta vez, com a participação de toda a família.