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Coluna | O perfil do seu DJ

música para casamento DJ Galalau

Há poucas semanas, fui prestigiar o trabalho de um amigo – e também um dos DJs do meu casamento – numa festa em Santa Teresa, bairro aqui do Rio de Janeiro. Lá, conheci um gringo (confesso não saber a nacionalidade) bem simpático que logo se interessou em saber mais do meu trabalho, que tipo de música eu curtia (é mais fácil dizer o que eu não gosto) e onde costumava tocar. Respondi que apesar de ser carioca trabalho na noite de São Paulo, assim como em muitos eventos corporativos, festas e casamentos nas duas cidades. E ele emendou em inglês.

– Oh, man. Wedding is the end for a DJ!

(II Pause << Rewind > Play)

Meses antes, conversava em outra roda sobre a enorme responsabilidade de conduzir uma festa de casamento por 5 ou 6 horas ininterruptas, tendo que corresponder às expectativas dos noivos e convidados de diferentes faixas etárias, sem deixar a peteca cair e (muito importante!) evitando o repertório “mais do mesmo” da grande maioria das celebrações. Daí alguém disparou.

– Quem é DJ da night não consegue fazer uma boa festa de casamento!

(II Pause)

Então, eu pergunto.

– Ô, Moisés, diz aí: isto está nos 10 Mandamentos? Quem afinal criou estas regras?!

(>> Forward > Play)

Eu arrisco dizer que quando o trabalho do DJ se popularizou, criou-se um racha (e quase uma rixa) entre estes profissionais. Tem muita gente boa nos clubs achando que toda festa de casamento é igual (e o DJ idem) e, do outro lado, profissionais com grande reputação no mercado de casamentos que desconfia bastante de quem traz sangue (e música!) novo para a pista.

Confesso que curto os dois lados da moeda. Numa festa de casamento, onde os sets são mais longos, é possível alternar algumas boas novidades com os grandes (e eternos!) sucessos de diferentes épocas, basta escolher o momento mais adequado. Já num club, onde o DJ se apresenta por um tempo bem mais curto, o desafio é segurar a pista com personalidade e um repertório renovado, up to date! Mas, talvez, a grande diferença esteja na postura do próprio DJ.

Eu gosto de pensar que num casamento estou prestando um serviço que exige bastante do meu conhecimento musical, experiência e técnica (é fundamental mixar) em prol da alegria e diversão de uma festa que não é minha e que, muito além disso, é um momento único para aquelas famílias e seus amigos. Já num club, entendo que o importante é a minha assinatura como DJ onde é bem mais evidente a minha personalidade e preferências musicais. Costumo dizer que, ali, sou o “artista” e fico muito incomodado quando alguém vem pedir música, acho uma atitude severamente egoísta. Já num casamento, ao contrário, me divirto demais com os pedidos de última hora e acho muito natural conversar com o DJ desde que com respeito e paciência, porque não somos máquinas. E mais que isto: é importante lembrar que existe toda uma preparação de repertório construída com os noivos e pensada para as muitas horas de festa e que aquele seu pedido maravilhoso já pode estar no roteiro do DJ!

E pra não dizer que não falei de música… Faço o convite para conhecer o trabalho do compositor e músico americano Scott Bradlee, que “veste” canções pop com ótimos arranjos de jazzswing e soul, no projeto Postmodern Jukebox. Eu separei uma lista em sequência no meu site que tem versões de “Creep”, um dos grandes clássicos do Radiohead, “Girls Just Wanna Have Fun”, de Cyndi Lauper, a country “Blurred Lines” acompanhada de banjo e chapéu em couro, “Sweet Child O’Mine” no estilo blues, “Drunk In Love” de Beyoncé, os sucessos radiofônicos “Wiggle” e “Talk Dirty”, de Jason Derulo, e a impagável “Royals” na versão sublinhada como Sad Clown With The Golden Voice!

As versões de Scott Bradlee cabem em qualquer pista e dão uma boa ideia de como é possível combinar gêneros musicais completamente diferentes numa mesma noite. Suas releituras preservam a integridade da canção aliada à uma bela dose de criatividade. E acredito que esta é uma ótima mensagem para todo DJ, esteja ele num casamento ou club: criar sua própria história, despir-se de qualquer preconceito e fazer as pessoas felizes!

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