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Coluna | O PODER DO FUNK

música para casamento DJ Galalau

Não é novidade que o funk mexe com os quadris e mentes de muitos jovens da periferia que há, pelo menos, três décadas enchem os bailes atrás de diversão. Durante todo este tempo o ritmo do funk e sua própria cultura sofreram muitas transformações, quebrando barreiras e demolindo preconceitos até chegar ao momento atual em que pessoas de todas as idades e classes não resistem à energia contagiante do funk.

Beyonce canta funk no Rock In Rio coluna Rogério GalalauEntre muitos DJs, tocar ou não funk, sempre gerou muita discussão. Eu mesmo já fui muito mais resistente em colocar funk na pista certamente porque não me identificava com letras e temas muito ralos, e até mesmo chulos, enlatados numa produção caseira e de pouca qualidade. Ainda assim, sempre curti muito a batida poderosa do ritmo que teve sua origem no Miami Bass e o Freestyle representado por artistas como Afrika Bambaataa, Noel, Tony Garcia e o precursor do funk melody Stevie B. Isto porque fui criado na Baixada Fluminense e, no início dos anos 80, este funk gringo já imperava na programação das radios AMs e algumas poucas FMs.

A mudança começou com o Rap do Pirão – numa apresentação no Xuxa Park -, um dos primeiros cantado em português que bombou pedindo paz e o fim das brigas nos bailes. Este rap fundamentou o funk carioca e tornou evidente a possibilidade de se produzir músicas de sucesso, uma janela de oportunidade para muitos jovens sem perspectiva de trabalho. Segundo o Mc Grandmaster Raphael, um dos mais longevos DJs em atividade e a quem tive oportunidade de entrevistar para a série Periferas Musicais, nascia, ali, a única e legítima música eletrônica brasileira.

Muita coisa rolou de lá pra cá. O batidão evoluiu para o tamborzão, o passinho e o quadrado tomaram as pistas como expressão de dança e a diva pop Beyoncé incluiu o sucesso “Ah Lelek, lelek lek lek” (Passinho do Volante)”  no seu roteiro para detonar de vez o show fenomenal que fechou o primeiro dia do Rock in Rio.

Em festas de casamento, o ritmo ainda desperta reações contraditórias. Muitos casais me procuram pedindo para que não toque funk, o que, naturalmente, já costumo fazer quando não sou briefado para tal. Mas sempre aviso: alguns de seus convidados vão querer funk. E aí, como fazer? Quando o ritmo é mesmo proibido pelos noivos e ainda assim a insistência é grande, sempre peço para que o convidado converse e traga o noivo, ou a noiva, para que me autorize pessoalmente a tocar o ritmo. Normalmente eles cedem e a pista explode! Mas, há menos de um mês, vivi exatamente o contrário. A irmã da noiva insistia no funk até que a noiva se rendeu. Pra minha surpresa, o funk não fez o menor efeito, a pista murchou. Eu já imaginava: o noivo viveu anos em Brasília e maioria de lá, em torno dos 40 anos de idade, delirou mesmo foi com os sucessos da Plebe Rude, Legião Urbana, Capital Inicial e os Paralamas do Sucesso.

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