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Design e identidade são as grandes tendências do casamento

O termo “papelaria de casamento” está em extinção. Agora, o serviço atende pelo nome de Identidade Visual e vai muito além da criação do convite. Com a crescente demanda pela personalização das festas, os noivos passam a esperar dos designers um verdadeiro trabalho de haute couture, que alinhave a harmonia estética do casamento desde o save the date até os mais específicos detalhes da decoração. Da caligrafia, que se especializa a ponto de reproduzir a letra dos próprios noivos, ao monograma do casal impresso em letras grandiosas na pista de dança, nenhum item entra num casamento sem obedecer a identidade da festa. Para que isso seja possível, designers e decoradores se deparam com a necessidade de reinventar seu processo de criação, em um verdadeiro trabalho de equipe, que tem os noivos como principais agentes criativos.

– Todos temos uma identidade e quando os casais se juntam, suas preferências combinadas resultam em uma química única. Cada vez mais, o designer assume o papel de transformar esse sentimento em algo palpável, gráfico, que possa ser lido pelos convidados em cada detalhe da festa – contextualiza a designer Patrícia Koeler, que, depois de trabalhar por mais de 10 anos em agências de publicidade, foi uma das primeiras a apresentar o termo às festas de casamento, há dois anos. Hoje, ela se dedica exclusivamente ao design das celebrações de família.

– Há seis anos, quando me casei, as pessoas falavam em “personalização”, o que é bem diferente de “identidade visual”. De dois anos para cá, o termo começou a ser absorvido pelo mercado de eventos e hoje chega ao vocabulário dos noivos – pontua.

A febre dos monogramas

Na busca por imprimir suas personalidades nas festas, os casais resgatam um dos mais tradicionais ícones do design gráfico: os monogramas. Costume que remete aos tempos de antigamente, quando os brasões de família eram usados para comunicar o status e a história dos antepassados, as letras iniciais unidas em arabescos e guirlandas ganham versões lúdicas – criadas exclusivamente para os noivos. As mais tradicionais, apostam em um monograma mais clássico, com coroas e brasões, mas os moderninhos podem escolher símbolos que lembrem passagens do namoro, como coqueiros, passarinhos. Mas a busca por eternizar a identidade do casal pode ir bem mais além.

–  Temos uma noiva que tatuou no braço o monograma do seu casamento. Outra noiva fez uma joia-pingente com o monograma – conta Adriana Willets, que junto com a sócia Gabriela Schorer Kaplan, representa no Brasil a Barnard & Westwood, empresa inglesa que assinou a identidade visual do casamento Kate & William. Vale ressaltar que um dos fatores que influenciou o resgate dos monogramas foi, sem dúvida, o frisson em torno casamento da duquesa, na Inglaterra. Atenta a esta influência, a Barnard & Westwood trouxe para o Brasil a técnica do monograma engraved, a mesma utilizada no convite de Kate.

– Trouxemos de Londres para São Paulo uma máquina exclusiva para desenvolver os monogramas das noivas brasileiras dentro da mesma técnica e qualidade exigidas pela família real britânica. Temos em várias cores e as brasileiras estão adorando – ressalta Adriana. Segundo ela, a cor tendência para 2015 é o ouro rosé e outra novidade monárquica apresentada às noivas brasileiras com grande receptividade é o papel de algodão em alta gramatura.

– Os ingleses têm como cultura usar convites de tamanho 20×15 e papéis de gramatura 750g, em papel de algodão. Trouxemos para o Brasil essa exigência, mas neste caso as noivas brasileiras geralmente preferem convites maiores, 28 x 20 cm – pontua a empresária.

Depois de pronto e aprovado, o monograma pode acompanhar os noivos desde o chá de panela até o enxoval, quando são bordados nas roupas de cama e mesa. Junto com o monograma, é realizada a escolha da estampa e da paleta de cores que acompanharão o casamento.

– Esta parte é realizada em conjunto com a decoradora do casamento, que sinaliza todas as peças com esses elementos, tendo assim um trabalho final em grande harmonia com a decoração – ressalta Eilá Nigri, à frente da Eilá Nigri Design, uma das principais empresas de identidade visual do Rio de Janeiro.

Entusiasta da tendência, a decoradora Patrícia Vaks confirma que em seu escritório os projetos são pensados em parceria com noivos e designers. E vai além: já criou projetos que partiram de aquarelas pintadas pela mãe da noiva, digitalizadas pela designer Eilá Nigri e finalmente impressas em itens da decoração sob sua coordenação.

– Sempre trabalhamos em conjunto, definimos juntas a paleta de cores do casamento e a partir dela o estilo da decoração e os itens da cenografia. É um processo muito criativo e colaborativo – confirma Patrícia Vaks.

O cuidado com o resultado final é pensado em diversas etapas, para que mesmo detalhes como a estampa da toalha de mesa e a cor do porta-guardanapos estejam em harmonia com os sinalizadores impressos em papel.

–Quando faço um menu para colocar sobre a mesa, por exemplo, preciso me preocupar com a cor e a estampa da toalha que a decoradora escolheu usar, para que não tenhamos uma confusão visual. Quando profissionais se juntam para somar e não competir, temos o melhor dos resultados e a satisfação de nossos clientes e do dever cumprido – resume a designer Patrícia Koeler.

Caligrafia em fontes exclusivas

A calígrafa paulistana Natty Akemi Tanaka valoriza tanto a identidade dos noivos nos casamentos que desenvolveu uma técnica para reproduzir a letra dos noivos na caligrafia dos convites.

– Quem conhece a letra dos noivos, vai ter a sensação de que foram eles mesmos quem escreveram à mão, um a um, os nomes dos convidados. Mas, na verdade, sou eu quem faço este trabalho, estudando minuciosamente suas letras e reproduzindo-as, de um jeito legível e melhorado, claro, não vamos reproduzir uma letra de médico – diverte-se.  Além da caligrafia para convite, Natty aplica a mesma fonte exclusiva em chalkboards (quadros de giz), plaquinhas ou demais superfícies que os noivos desejem utilizar como meio de comunicação com seus convidados.

Acostumada a assinar o design de casamentos famosos, como o da jogadora Hortência Macari e o da atriz Françoise Forton, Eilá Nigri recomenda que mais do que simplesmente o cuidado com o design, é fundamental atentar para a qualidade do material que receberá o monograma e o trabalho de caligrafia.

–  Os noivos devem considerar o investimento em uma gramatura de peso no convite e no papel do envelope. O relevo seco bem feito e o texto bem impresso são as minhas dicas para todas as noivas. Isso tem o seu custo. Inegável. Mas vale mais que tudo. Afinal, o convite ficará guardado para sempre e será a lembrança desse momento único na vida do casal. Ver o convite hoje e daqui a 30 anos, com o mesmo glamour, é essencial – recomenda.

Fonte: Texto original da Manoela Cesar para Vogue Noivas edição 2015.