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Ilana Reznik | Disponibilidade afetiva

O celebrante de um casamento talvez possa ser considerado uma das pessoas mais importantes do grande dia, e não há exagero nenhum em dizer isso. É ele quem, assim como o nome já diz, celebrará a união entre duas pessoas, acalentará os corações passíveis de dúvidas sobre o futuro e emocionará não só os convidados e familiares, mas também os próprios noivos. E é justamente para falar de amor que a celebrante Ilana Reznik (recomendada no nosso Guia de Fornecedores) inicia hoje sua coluna aqui no Colher de Chá, para trazer um pouco mais de aconchego e conforto a quem está bem pertinho do casamento.

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Ao final das cerimônias, é comum ouvir de um convidado, parente ou amigo do casal, a pergunta: mas você é amiga dos noivos? Antes de responder, já me preparo pra reação de surpresa quando digo que, à princípio, não. Mas também é com uma certa dorzinha no coração que digo não, afinal, passamos por uma convivência intensa até chegarmos ali.

Passei a conhecer seus sonhos, seus interesses, descobri que a paixão dele pelo mar veio quando o pai o ensinou a velejar com 5 anos de idade, sei qual é o jeito que ela gosta de ser acordada por ele, qual a sua sobremesa preferida – o mousse de maracujá da vó – o que os torna especiais um para o outro, o nome que querem dar para as crianças, o horário do dia em que ela é mais feliz.

Sei disso porque eles me contam, porque me mostram, porque estão disponíveis.

Fico pensando no que torna uma cerimônia de casamento verdadeiramente especial. E sinto que a resposta é mesmo a disponibilidade das pessoas envolvidas. Quando os noivos se deixam mostrar quem são, quando não têm medo de expor seus sentimentos, seus motivos para terem escolhido um ao outro, quando não têm vergonha de contar um episódio engraçado, um jeito carinhoso como se chamam, quando entendem a profundidade da conexão que têm e do compromisso que passam a assumir um com o outro, todos saem ganhando. Rimos juntos, nos emocionamos juntos, porque afinal de contas, casamentos falam de emoções verdadeiras. E isso é muito bonito.

Quanto mais o casal abre essa porta e me convida a entrar, mais longe eu vou e, assim, trazemos pra mesa também seus pais, seus irmãos, seus melhores amigos, uma madrinha de coração, uma vizinha antiga, um vô que também é meio pai. Converso com todos esses personagens importantes da história dos noivos e, mais uma vez, me emociono com a disponibilidade de cada um, que me pega pelo mão pra contar histórias da infância e da vida toda. É bom pra eu conhecer os noivos um pouquinho mais? Sim. Mas é maravilhoso também por agregar todas essas pessoas nessa energia especial do casamento. É uma fase nova que vem por aí, e as mudanças não são só para os noivos. Ganha-se uma casa, enquanto a antiga fica mais vazia. Vem netos por aí e tanta coisa mais.

Nesse processo delicioso, eu também me disponibilizo a entrar na história deles, com todo o meu coração, para transformar esse material que é único, em uma cerimônia de casamento igualmente única. É a nossa troca. Eles me dão tanto e é hora de devolver. Aí o noivo vê a noiva entrando, começa a chorar e a celebrante desmonta por um segundo, depois remonta, afinal, tem ainda um corredor de palavras enfileiradas prum cortejo que promete encantar noivos e convidados. Tudo porque eles se disponibilizaram pra essa cerimônia de casamento. Esse é o segredo. Podem espalhar.

Colunista - Ilana Reznik