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Leila Hafzi lança editorial no Tibet

Quem está seguindo o colher de chá no instagram viu que semana passada publiquei uma foto de um pingente super lindo que ganhei da minha amiga de infância com o mantra da compaixão “om mani padme hum” gravado.  Apesar de falar pouco sobre isso por aqui, sou adepta da filosofia budista. Por isso, em 2009, meu marido e eu nos trocamos nossos votos em uma cerimônia tibetana, celebrada pelo querido monge Khempo Khenrabi – que veio do Butão para ficar à frente das práticas da KTC, em Vargem Grande.

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O mantra da compaixão é um dos mantras mais importantes do budismo porque acredita-se que cada sílaba entoada “envia uma mensagem” de coragem e fé para o nosso cérebro vencer as barreiras do medo. A compaixão significa a capacidade da gente em se reconhecer no outro, sem medos ou preconceitos. Isso faz muito sentido para mim.

E por que estou falando sobre budismo no meu blog de casamento? Bom, porque depois que postei aquela foto pensei em contar para as leitoras um pouquinho das tradições de um casamento budista tibetano. E fiquei esperando um “gancho” para trazer este assunto para um post.

Hoje, cheguei a me emocionar quando vi no instagram da estilista norueguesa Leila Hafzi, a quem super admiro, que ela acaba de lançar uma coleção de noivas desenvolvida e clicada no Tibet e Nepal. O editorial lindíssimo compartilho com vocês, em fotos e vídeo. E o vídeo começa como? Justamente com o mantra da compaixão (!). Alguém aí acha que tudo nesta vida é coincidência?

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A coleção foi lindamente intitulada “Resham Firiri“, que, em tibetano, significa “Seda Voando“. Inspirada pela viagem que fez há 16 anos ao Nepal, quando mergulhou pela primeira vez na cultura budista, Leila resolveu fazer uma coleção aproveitando ao máximo costureiros e artesãos locais  que recruta e ensina na Nepal Productions AS, para produzir uma coleção de alto luxo, com acabamento primoroso.

– Na minha primeira viagem ao Nepal, em 1993, explorei o artesanato, os tecidos, a ecologia, a paisagem e as pessoas da região por 3 meses. Uma das lembranças mais vívidas que tenho são os reflexos do Lago Pokhara. Lembro-me da magia dos templos e monastérios budistas e de sentar no topo da colina de Sarangkot com vista para o mesmo lago. Neste momento, tive a intuição: “minha missão é lançar luz sobre o artesanato do Nepal e inseri-lo no mundo da moda com sustentabilidade, excelente acabamento, e assim trazer retorno para esta população – contou Leila hoje, em entrevista por email ao Colher de Chá.

Por meio de técnicas de pintura à mão e adornos tradicionais da região, Leila traduziu esta cultura tão rica e sábia em vestidos sublimes. Nas palavras da estilista, “a paleta de cores em tons bem suaves de lavanda, pêssego e rosés sugerem uma viagem com momentos de pura espiritualidade e descoberta”. As noivas de Leila aparecem mesmo com esta aura diáfana, quase anjos. Para madrinhas e mães, Leila propõe um vermelho hibisco, amarelo e verde esmeralda, que representam o estilo de vida tibetano. O vídeo-editorial da coleção está lin-do demais.

Bom, aproveito então o gancho para compartilhar um breve comentário sobre o casamento budista. A cerimônia budista tem uma coisa muito linda que é a sabedoria da impermanênciaEsta é uma das “4 verdades” da filosofia de Buddha sobre a vida: tudo muda, tudo passa. Como ficar bem dentro desta vida tão instável? Cuide do momento presente. Neste tipo de celebração não existe o tradicional “até que a morte nos separe” porque acredita-se que os votos do casamento devem ser refeitos em todos os momentos da vida a dois, pois temos de estar o tempo todo atentos ao outro e cuidando da relação para que ela permaneça pela eternidade. A eternidade é feita de uma infinidade de pequenos momentos finitos. A cada dia estamos construindo nosso “felizes para sempre” com pequenos momentinhos presentes. 

Estamos a todo tempo “escolhendo” estar junto. Não é só porque casei que ficarei com meu marido pelo resto da vida. Ficaremos juntos se cuidarmos com muito carinho do que temos, a cada dia, a cada bom dia, a cada café da manhã juntos. Meu marido outro dia me chamou atenção que estou trabalhando demais e que não temos tido tempo para colocar a mesa do jantar juntos como sempre fazemos. Neste momento, acendeu uma luz em mim: opa, isso não pode! Preciso estar atenta e cuidar. Preciso respirar a vida e deixa-la estar presente em mim em cada pequeno detalhe.

Por isso, para os budistas, o casamento é mesmo como uma plantinha, é preciso regar diariamente para que ele floresça. Não foi por acaso que minha lembrancinha de casamento foi um vasinho de amor perfeito com a tag “cuide bem do seu amor“. O verso do Herbert Vianna simbolizava a essência daquelas palavras tibetanas indecifráveis que o monge Khempo disse ao longo da minha cerimônia de casamento. Se meus convidados levassem para casa com eles o entendimento desta pequena frase, eles estavam levando a maior “joia” que eu poderia oferecer naquela manhã: ame ao próximo como a ti mesmo.  Soa familiar? Somos todos filhos de um mesmo amor!  

Não por acaso, mais uma coincidência bonita aconteceu enquanto escrevia este post. Fui fazer uma busca pelo link da música “Cuide bem do seu amor”, do Herbert Vianna, e encontrei um vídeo no qual o monge Khempo, o celebrante do meu casamento, aparece no palco com o Herbert e com o Leoni, recitando o Mantra da Compaixão em um show no qual apresentaram uma outra música que fizeram a seis mãos, intitulada “Canção para quando você voltar, que Leoni fez para Herbert, durante seu coma. Estou emocionada.

Alguém aí realmente acredita em coincidência? Eu não! Vale muito este play =)

Dito tudo isso, compartilho o resultado deste belo trabalho da estilista Leila Hafzi. Logo abaixo das fotos, escrevi um pouquinho sobre o diferencial desta estilista que tanto admiro.

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Sobre a estilista Leila Hafzi

A marca Leila Hafzi é da Noruega e foi criada em 1997. Um dos grandes diferenciais é que a Leila tem uma preocupação enorme com a sustentabilidade e defende a ideia de que todas as empresas devem efetivamente se responsabilizar pelos direitos humanos. Particularmente, adoro as modelagens fluidas que são tão presentes no trabalho da estilista. Premiada diversas vezes, Leila veste celebridades do mundo todo e usa esta visibilidade para passar uma mensagem de que a moda pode ser consciente, movimentar culturas e indústrias, gerar emprego, e ser um meio de comunicação universal. Eu sou muito fã!

– O nosso trabalho busca estabelecer um ciclo de produção consciente entre seres humanos e meio ambiente. Depois de ano trabalhando em um país em desenvolvimento, como Nepal e Tibet, vemos que chegamos longe. E, embora ainda existam distâncias a percorrer, estamos confiantes de que vamos chegar lá, a superação dos desafios é assim mesmo, uma conquista de cada vez – celebra Leila.

Créditos do editorial: Fotógrafo: Erikalmas  | Modelo: Sarah Parker Birkett  (Next Model Agency) | Maquiagem: Tore Petterson, do The Body Shop Norge | Cabelo: Birger Løkeng | Produtor: Jocelyn Whipple