PROCURA FORNECEDOR?

Por que as pessoas se encontram?

Setembro foi um mês e tanto. O novo mês das noivas, dizem. Foram 6 casais, 6 cerimônias e muita, mas muita história. Com todas elas, aprendo. Sempre. E ainda me surpreendo de vez em quando, ao realizar que sim, este é o meu trabalho: ouvir histórias de amor. Mas isso vocês já sabem. O que eu queria contar é por que a Tamara e o Daniel decidiram ficar juntos. Ou a Patricia e o Adriano. E ainda a Paulinha e o Lipe. Ou por que, por qual motivo, as pessoas se encontram.

marcella e victor3

Créditos: Daniela Justos

Quando falo em encontro, não falo propriamente do momento em que duas pessoas se conhecem. Se no trabalho – dividindo um café no corredor – num grupo de amigos em comum ou até – nesse mundo moderninho em que vivemos – em territórios virtuais, isso pouco importa. O momento zero pode ser determinante, sem dúvida, e ainda render uma história deliciosa de ser contada, mas cada vez mais percebo que não é ele que faz uma trajetória ser mais ou menos nobre.

Encontrar algo pressupõe que haja uma busca. Direta ou indiretamente, consciente ou até inconscientemente. Mas o que exatamente estão todos buscando? Que respostas o encontro com o outro trará pra nossa própria existência? Elizabeth Gilbert, a famosa autora do tão famoso livro “Comer, Rezar e Amar” diz que todos buscam uma alma gêmea, como se esta fosse a sua combinação perfeita, mas, pra ela, o que a alma gêmea é, na verdade, é um espelho. Ela vem pra fazer você enxergar o que precisa ser mudado, pra revelar uma camada sua que você mesmo não conhecia, pra partir seu coração e deixar uma nova luz entrar. E então ela vai embora, não fica pra sempre e, não, não mesmo, não se configura no amor da sua vida. Apenas te coloca mais preparado pra essa busca verdadeira.

028

Créditos: Marco e Mauricio Fotografia

Um encontro, um verdadeiro encontro de amor, vai um passo além disso. O que eu vi nesses casais de setembro e o que vejo na maioria das pessoas que conheço no trabalho é uma vontade de descobrir o seu propósito no mundo, somada a uma vontade de ajudar o outro a descobrir também o seu. Com isso, o casal entende que o propósito de um está intimamente ligado ao do outro, ao outro. E isso faz com que eles queiram ficar juntos. Não tem nada que aproxime mais duas pessoas do que querer descobrir e concretizar junto o que quer que seja seu papel, sua missão. Parece muito romântico? Me perdoem, não era a minha intenção, juro. É um raciocínio lindamente prático e eficiente, eu diria. Apenas acho que a melhor maneira de reconhecer um encontro amoroso é medir se esse encontro vem pra contribuir pra nossa evolução pessoal, pra evolução conjunta do casal, pra nos mover pra um lugar melhor e mais bonito nesse mundo. Duvide de um amor que não te faça evoluir, que não te faça caminhar pra frente. Acho que foi por isso também que a Carol e o Pedro se encontraram, a Letícia e o Leo, a Tati e o Neto. Porque amar é contribuir para o mundo. E eles estão contribuindo.

carol e pedro

O que eu desejo é que você não encontre a sua alma gêmea, mas que você encontre com você mesmo, com a melhor versão de si mesmo, através da outra pessoa. E no caminho até lá, que vocês se divirtam um bocado juntos. É só por isso que estamos aqui. 

Sobre o Colunista

Ilana Reznik cria e conduz cerimônias personalizadas de casamento. Ama escrever, ama gente, ama encontros, ama dias com sol, com nuvem, com chuva. Ama todos os dias. Acredita na delicadeza e no amor, e percebeu que não haveria melhor maneira de celebrá-lo do que participando com afeto e doçura do dia mais feliz da vida de pessoas que se escolheram como eternas companheiras.