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Retrospectiva do amor

2018, esse ano que ainda não acabou, mas já nos deixou um legado maior que o da Copa do Mundo e despertou em nós uma certeza que candidato à presidência nenhum conseguiu despertar. 2018, o ano que provou o que alguns já suspeitavam: se tem algo que pode nos unir e nos guiar, não é o futebol, nem as eleições, nem o tal do meteoro. Pra curar um ano partido, só mesmo ele: o amor.

Então, chega de más notícias, que é hora de compartilhar aqui alguns dos amores que me apareceram nesse último ano.

 

 

Em 2018, eu conheci um casal que está junto há 10 anos. 10 anos de casados, sem nunca ter feito uma festa tradicional, sem nunca ter chamado um padre ou assinado qualquer papel. É que quando eles fizeram um ano de namoro, eles foram pra Itália e trocaram alianças em Veneza, num restaurante, só os dois. Eles já moravam juntos. Logo depois ela engravidou e a ideia da festa ficou pra um tanto mais tarde. Veio a Luiza. Aí eles resolveram se mudar pra uma casa maior, mas não uma casa maior que já estivesse pronta, dessas que você compra, organiza a mudança e entra, não. Eles compraram terreno, cuidaram da obra, de tudo. Por anos. Até que chegou a Laura, a segunda menininha do casal. Ele já tinha duas filhas do primeiro casamento, uma biológica e outra de coração. Ele é dessas pessoas de fala suave e gestos grandiosos. Parece até ironia, mas o cara com o maior coração que eu já conheci nessa jornada casamenteira é cardiologista, acreditam? Ele cuida de todo mundo nos mínimos detalhes. E a sua esposa é daquelas mulheres que você olha e pensa: como ela consegue? Como ela consegue dar conta de tudo e todos, trabalhar, cozinhar maravilhosamente bem, deixar a casa impecável e ainda ser linda de morrer? Daí o tempo foi passando e eles pensaram: e que tal uma festa de dez anos juntos? Era muita história pra contar. As filhas participaram de alguns dos nossos encontros e cuidavam pra que os pais não esquecessem nenhum detalhe. “Pai, você já contou que você amava muito a sua avó?”, a mais velha perguntou. E ele disse: “Já, meu amor”. Ela não chegou a conhecer a avó do seu pai, sua bisavó – não deu tempo – mas ela conhecia o tamanho desse amor. Porque era com esse mesmo amor que ela e as 3 irmãs eram criadas. A Flavia e o Junior se conheceram num dia 12 de outubro e, desde então, todo dia 12, de todos os meses, desses dez anos, o Junior chegou em casa com flores pra ela. Eu perguntei: “Mas todos os dias 12 mesmo? Sério? Sem pular nenhum?”. “Nenhum”, ela disse. E como a nossa celebração foi também num dia 12 de outubro, ela ganhou os girassóis que tanto ama, bem no meio da cerimônia.

Em 2018, conheci o amor de dois homens que se amam de um jeito tão colorido, tão alegre, tão bonito, que a cerimônia já parecia uma festa. Um de terno azul, o outro, de rosa. Na hora dos votos, um deles disse que amar não é um ato de resistência.  Amar é justamente não resistir. Porque o amor é a existência em si. Todo mundo chorou, eu, inclusive. E eu agradeci baixinho a honra de estar ali, feliz demais por esse amor existir.

Em 2018, celebrei o casamento de duas meninas, mas a mãe de uma delas preferiu não participar da cerimônia e da festa, por não ficar confortável com o fato da filha se casar com outra mulher. Elas são extremamente felizes juntas. Têm dois cachorros que comem todos os sapatos das duas em casa. Bruna chama a Natália de “princesa” e as amigas acham graça disso. É que ela é uma princesa bem moderninha, que não espera que o príncipe venha salvá-la no final, é bem guerreira, e heroína da própria história. Ela só não merecia viver num castelo fechado a vida inteira. Queria o mundo. E junto com a Bruna, elas têm conquistado tudo e um pouco mais.

Em 2018, encontrei um casal que se conheceu da mesma maneira que os pais da noiva, 30 anos atrás, haviam se conhecido. A mesma história, em outro tempo, com outros personagens. E se alguém duvida da potência dos ciclos da vida, me chama pra conversar que eu conto essa história com mais detalhes.

Em 2018, celebrei alguns casamentos com os filhos do casal participando da cerimônia. Crianças pequenas, reagindo das mais variadas maneiras ao que os adultos chama de “emoção”, mas que eles não sabem ainda nomear, só sabem que às vezes dá vontade de correr, noutras, dá vontade de chorar.

Teve avó trazendo as alianças. Teve chuva torrencial na hora do discurso dos irmãos. A natureza sempre encontra o seu jeito de abençoar um amor.

Em 2018, vi um casal que enfrentou uma doença séria junto, mas eles são tão alegres, tão cheios de vida e energia, que a parte da doença virou um capítulo pequeno diante de tanta felicidade que eles emanam.

Nesse ultimo ano, vi tanta gente se refazer e renascer a partir do amor…

Em 2018, celebrei o casamento de um casal muito querido, grandes amigos meus. Os tricolores mais lindos que eu conheço. Depois de 10 anos juntos, uma separação, um reencontro, alguns títulos do Fluminense e até um quase rebaixamento do time, veio essa certeza mais forte que nunca. Era mesmo pra ficar junto. E a gente celebrou muito e depois dançou até o chão. Quando a celebrante é amiga, tá liberado.

Em 2018, até a celebrante virou noiva, vejam só. Com um pedido de casamento cheio de significado e emoção. É capaz de, ano que vem, eu aparecer de off-white e tênis colorido, em algum jardim florido da cidade. Me aguardem.

2018 me deu essas e outras tantas (e lindas) histórias de amor. E quando eu me pego desesperançosa por qualquer motivo, eu lembro disso. Dessa minha fé inabalável no amor.

Então, vai lá, faz as pazes com o tio que votou diferente de você esse ano. Renova a sua fé no mundo e nas pessoas, deixa o amor entrar. Porque 2019 vem aí e eu acho que ele vem com muita história bonita pra contar.

Colunista - Ilana Reznik