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Timeline | Vestido de Noiva: da Rainha Victoria à Meghan Markle

A expectativa em torno do casamento do príncipe Henry de Galles, conhecido carinhosamente por Harry, com a atriz americana Meghan Markle, lança mais uma vez luz sobre a influência da Inglaterra no mundo do casamento. Não é preciso bola de cristal para prever que bolos, arranjos, buquês e, especialmente, o vestido da noiva servirá de inspiração para centenas de mulheres apaixonadas em todo o mundo. A força das tradições inglesas nos costumes e comportamentos, sem dúvida, estão relacionados ao poderio do Império inglês, mas, no caso dos enlaces matrimoniais, tem seu marco com a Rainha Vi​c​to​ria, monarca mais poderosa do século XIX e que ousou se casar por amor em 1840, enfrentando o séquito de súditos que torciam o nariz para seu primo e noivo Albert, de origem alemã.

Sem dúvidas, Harry escreve seu nome na história ao escolher como esposa, na alegria e na tristeza, to have and to hold, a atriz Meghan Markle. A rainha, que hoje dá a benção ao casamento do neto, apenas entrou na linha sucessória porque o tio Edward abdicou ao trono em favor do pai de Elizabeth. Perdido de amores, ele preferiu viver sua história de amor com uma atriz, americana, divorciada. A realeza inglesa dá nítidos sinais de que os tempos são outros e reforçam o mantra que temos no Colher de Chá Noivas:

Seja Moderninho, Case Por Amor,

 

 

 

 

Rainha Victoria


Monarca mais poderosa do século XIX, Rainha Victoria reinou de 1837 até ​su​a morte, em 1901, na famosa Era Victoriana​​. ​Mas além da​ ​sua grande​​ ​força política, Victoria influenciou e ainda influencia noivas do mundo​ ​inteiro​​ ​ao​ ​ter ​​​escolhido​​ ​se casar de branco, em 1840​. O branco era uma cor até então pouco usada para vestidos de noivas. Mas quando Victoria se apaixona pelo príncipe Albert de Saxo Coburg e pede sua mão em casamento, ela ousa ser protagonista de um casamento por amor em plena monarquia. O casamento foi realizado no dia 10 de Fevereiro de 1840, na Capela Real do Palácio Saint James, em Londres e é veiculado em todas as mídias da época. O seu vestido branco e a sua coroa de flores, além do bouquet de muguet com flores de laranjeiras, se tornam então sinônimos de casamento feliz e viram tradição. Anos mais tarde, Victoria pede que o compositor alemão Felix Mendelssohn toque no casamento de sua filha, princesa Victoria, um trechinho de sua ópera para “Sonho de Uma Noite de Verão”. Este “trechinho” é a marcha nupcial, que até hoje emociona a entrada da noiva.

 

 

Rainha Elizabeth

​A então princesa​ ​Elizabeth conheceu seu futuro marido, o príncipe Philip​,​ em 1934​,​ no casamento da Princesa Marina da Dinamarca ​com o Príncipe George, Duque de Kent. Apaixonada, Elizabeth passa a trocar correspondências com Philip, até que seu noivado é anunciado​, em​ julho de 1947. O casamento acontece quatro meses depois, na Abadia de Westminster, com dois mil convidados e acompanhado na mídia, em tempo real, por 200 milhões de pessoas. A missa, que começa com uma fanfarra especialmente composta para o casamento por Arnold Bax, termina com a marcha nupcial de Felix Mendelssohn, seguindo tradição iniciada por Rainha Victoria. Mas, diferente do vestido volumoso da sua tataravó, Elizabeth opta por um vestido com menos volume, por se tratar de um período pós segunda-guerra mundial, no qual qualquer tipo de ostentação excessiva não seria bem vista. Mas ela pôde se dar a alguns luxos: o vestido desenhado por Norman Hartnell teve inspiração no quadro “Primavera”, de Sandro Botticelli, e foi feito em cetim de seda. Com corte simples, corpete ajustado, decote em forma de coração e cintura baixa em V, o modelo tinha uma causa de quatro metros de comprimento, como uma capa presa pelos ombros. O véu, em tule de seda bordado com pérolas e cristais, c​ontinha 10 mil pérolas importadas dos Estados Unidos​.

Kate Middleton

​Assistido por nada menos do que 2,5 bilhões de pessoas, o casamento do príncipe William com Kate Middleton, realizado em 29 de abril de 2011, pode ser considerado um outro grande marco na história do casamento por amor. É a primeira vez que um príncipe herdeiro do trono britânico recebe consentimento da Rainha para se casar por amor com uma colega de faculdade. Kate não nasceu em meio a realeza e não pode ser chamada de princesa, mas conquistou o coração do mundo todo com seu carisma, personalidade e sua elegância. Com o título de Duquesa de Cambridge, Kate resgata o glamour da noiva monárquica – uma imagem abalada desde as revoluções do anos 60 e 70.  Seu vestido, desenhado pela estilista Sarah Burton, da grife Alexander McQueen, fez uma citação ao clássico vestido de noiva de Grace Kelly: mangas de renda londa até o punho, decote em V, com saia volumosa e cintura bem marcada. No lugar do coque, Kate rompe a tradição e cruza a nave da Abadia de​ Westminster com cabelos soltos, sob a tiara de diamantes pertencente à Rainha Elizabeth. A joia foi um presente de seu pai, Rei George VI, para sua mãe, a Rainha Mãe, em 1936. Quando ainda era princesa, Elizabeth ganhou de presente de aniversário de 18 anos. O tradicional bouquet de Muguet com flor de laranjeiras completou o look de Kate.

 

Meghan Markle

Sem dúvida, o casamento Harry & Meghan é o mais revolucionário da monarquia britânica. Isso porque o príncipe Henry de Gales, ou príncipe Harry, recebe autorização da Rainha Elizabeth para se casar com uma atriz americana divorciada, por quem se apaixonou. A quebra de paradigmas é bem clara: em 1936, a mesma Rainha Elizabeth, que hoje autoriza o casamento de seu neto, viu sua história mudar ao ver seu tio, o então rei Edward VIII ser obrigado a abrir mão da coroa britânica para se casar por amor com uma atriz americana divorciada, a elegante Wallis Simpson. Em consequência, a jovem Elizabeth viu seu pai, George, assumir o trono da Inglaterra e começa a se preparar para ser a futura rainha. Na ocasião, Edward fez um apaixonado pronunciamento à nação e ao império: “Achei impossível carregar o pesado fardo da responsabilidade e cumprir meus deveres como rei, sem a ajuda e o apoio da mulher que eu amo”. Ao abençoar o casamento de seu neto, sexto na linha de sucessão ao trono, Elizabeth rompe com a tradição e chancela, mais uma vez, que o amor está acima da instituição.